terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sempre.


Nada é para sempre não é mesmo. Mas foi você quem quis assim, e mais uma vez as coisas são sempre como você quer. Ruim é tentar esquecer seus sorrisos, com sua boca no meu rosto. Difícil é tentar esquecer seus olhares, se eu quero seus cílios nos meus olhos piscando pra mim. É triste ter que jogar fora aquilo que não é um lixo, principalmente quando você o deseja. Não sei porque estou tão assustada, eu já senti tudo isso antes, cada sentimento, cada palavra e cada emoção. Aquele mesmo sentimento de que você será sempre único ainda pulsa em mim. Fazer o que se você me roubou de mim, se eu não me reconheço mais, se é você quando eu olho no espelho.  
Espero que um dia eu aprenda a te odiar depois de tudo o que você fez. Eu tenho trauma, eu fui vítima de muitos falsos amores, recebi espinhos tendo dado flores, chorei em silêncio, sem pedir socorro, por que a pessoa que poderia me socorrer não estava aqui. 
Um dia essa dor se vai, e esse vazio também, mas as cicatrizes ficam e uma hora vou ter que acabar preenchendo isso logo. Foi você mesmo que disse que nada é para sempre.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

De outro planeta.


O amor não controla seu desequilíbrio ou a própria recessão. Eu tenho notado que no namoro, a mulher não economiza elogios sobre o namorado às amigas: "Nem acredito, ele é perfeito""Não sei como ele me escolheu""Estou vivendo um paraíso". Ele é de outro planeta ainda. Ela não desperdiça tempo: enfeita, superfatura cada frase. Provoca inveja sem querer. As colegas passam a se perguntar o que ele tem. Claro, ela desperta a concorrência. Confessa que ele é "incansável", "um atleta na cama", e nem entra detalhes porque tudo já é dito com o brilho dos olhos. Não é questão de falsa modéstia. Não há modéstia mesmo no início. Período de transe e encantamento repetitivo. As declarações são as mesmas e parecem novas.
Quando a relação se firma, a mulher descobre que ele não é de outro mundo tão distante assim. E troca de movimento: do impressionismo para o realismo. Os defeitos são identificados acima das qualidades. Com medo de fazer propaganda demais do namorado, investe em ataques sutis ao seu valor. Na mesa de um restaurante, dirá - sem contexto - que ele dorme depois da transa. Capota. O fundista sexual é rebaixado a dorminhoco. Comentará em seguida que não recebe flores há séculos (o mito do romântico foi ao ralo), e de sua inabilidade em escolher suas roupas, sempre em tamanho menor ou maior.
Não é questão de sinceridade, é exagero de crítica. Confunde a época de analisar a convivência com aspereza. O homem se percebe drasticamente diminuído - poucos sobrevivem, alguns preferem terminar. Transforma sua insatisfação, muitas vezes pequena, num debate público, tornando o problema bem maior do que é e esquecendo que seria possível resolvê-lo numa conversa a dois. Ao desvalorizar o passe de seu namorado, afasta com razão qualquer mulher de perto dele, isso ela consegue. Mas também se distancia dele. A ponto de se convencer - secretamente - que ele não mais serve. 

O amor é medida. Não mudar as palavras, controlar sua força. Ser natural, cuidando para não ultrapassar o respeito. Na linguagem, um toque pode virar tapa que pode virar soco.
Relação não é falar tudo, a franqueza ilude, é falar o que se precisa. E deixar que um pensamento se encontre com outro na telepatia. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Eu quero mais, eu mereço mais.


Não sei se eu me arrisquei demais, talvez eu apostei muito em você. Gastei todas as minhas moedas contigo e não sobrou nenhuma pra eu me reconstruir. Não estou arrependida, não estou chateada, nem triste, só estou atordoada, porque eu te amo. Eu corri, rastejei, pulei obstáculos, superei meu orgulho, só pra estar com você.
Tenho que acreditar menos no que você fala, tenho que acreditar mais em mim. Que eu posso mais, que eu mereço mais. Mereço mais de você, não de outro. Perceba o medo de amar. Medo de se entregar, medo de se envolver, de virar passado antes de virar futuro. O amor é incerto, exige muita responsabilidade da gente. Devia existir uma profissão para quem sabe amar, com salário, ticket alimentação e tudo. Se inclui também preferências. Preferência de banco exclusivo em transporte público, fila preferencial no motel, meia entrada em filmes românticos, e, um último mas não menos importante que é não sofrer. Amar é sofrer, sofrimento amadurece, amadurecimento é aprender a viver sozinho, e dá pra viver sem amor?
É como uma droga, quanto mais experimenta, mais você o deseja. É também como uma prisão, você quer escapar, mas precisa ser punido pelo seus atos.
Acho que o segredo não são os valores de cada um, e sim quanto vale os dois juntos. Quando é desigual não é amor, é dor.
Tudo bem, eu posso até achar que eu sou muito pra ti, e que tu é muito pouco pra mim. Mas é desse pouco que eu preciso, é esse pouquinho que me completa. Não é só minha boca que diz, meu corpo chama teu toque, meu coração pede você. Eu quero mais, eu mereço mais de ti. Mas eu tenho medo que no meio dessa relação eu me perca, que a menina que eu tenho dentro de mim está com você, medo de você me roubar de mim. Medo do tempo levar você, e um dia eu te olhar e não te reconhecer. Não quero ter que olhar pra você e me arrepender de tudo o que eu fiz, e pensar que poderíamos ter o mundo inteiro, e não tivemos.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Raise your glass.



Existem várias teses de que o ser humano nunca é grato, e sempre tá querendo mais. É aquela história, "dá a mão e quer o braço". Acho que na verdade nunca sabemos o que queremos, quando tá frio demais queremos calor, quando as coisas não estão indo bem culpamos o governo, mas na hora de votar, na hora de escolher mesmo, sempre acabamos em cima do muro, e quando caímos reclamamos da vida, da nossa escolha, e de todos em nossa volta.
O que eu chorava, o que tanto eu reclamava, eu tenho. Era por isso que eu gritava e chegava a arrancar cabelos. Eu tenho amor, família, um namorado lindo, amigos perfeitos, aqueles que fazem parte da nossa vida até o momento certo, afinal temos que aprender a nos virar sozinhos. Na hora de assumir um filho, seu amigo não vai estar lá para bater nas suas costas e registrar o filho com você. Crescer é fundamental, e precisamos passar por essa fase sozinhos, ou então não é crescimento, é lembrança. Lembre-se que para ter aquilo que você nunca teve, é preciso fazer aquilo que você nunca fez.
Por isso eu convoco um brinde, um brinde á todos que já estão crescidos, á todos que sentem o calor na medida certa, aos que não reclamam aonde o muro nos leva, aos que pensam duas vezes antes de jogar um papel no chão e culpar o deputado e aos que vivem uma vida honesta, sem reclamar do que não tem.  E eu agradeço aos que me fazem feliz e á tudo que Deus me deu. 


"Tudo que Ele me trouxe é exatamente tudo que eu preciso, se ele não me deu dinheiro é porque eu não vou precisar."
Bina Parts

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Viva-Voz.


Vivo reclamando que minha mãe atrapalha meu relacionamento. Jantava na casa dele quando minha mãe me ligava, ao toque de "Fuck You" da Lily Allen, atendo o telefonema da minha mãe. Ela nem disse oi, disse qualquer coisa pra testar o microfone do celular. Falando tão alto, que meu namorado até ouviu o tutututu. E a briga continuou. Sempre que uma mãe desligar o telefone na cara da filha, a filha vai fechar a porta na cara da mãe.
Fiquei pensando comigo mesmo: "Ela está ferrando com meu namoro? Ou ela vem me ajudando?" 
E percebi que é ótimo, não existe namoro sem oposição. Ela entusiasma o relacionamento, eu preciso da cumplicidade dele para enfrentá-la. Pensando assim, conclui que temos um inimigo em comum, nossos pais. O amor cresce com resistência. 
O que seria de Romeu e Julieta sem ódio familiar? Imagine a família Capuleto convidando Romeu para um churrasco no domingo? Acabava a atração de Julieta na hora de servir a linguiça e o coraçãozinho de galinha. Ele se tornaria um irmão, manso e amistoso como uma salada de batata. Contrariar é aumentar a expectativa e fortalecer os segredos do casal. Sem atrito, não haveria serenata, encontros fortuitos e a insônia pela chegada de um mensageiro na peça de Shakespeare. Não restariam dificuldades, nenhuma prova de amor, a trepadeira permaneceria intacta no jardim. Tudo acabaria com comentários futebolísticos entre o sogro e o genro na frente da televisão. 
Sabe como minha mãe terminaria com o meu namoro? Ela chamaria o Yuri para uma conversa e diria: "Estou feliz que você está cuidando da minha filha, conte com minha confiança, sinto que é a pessoa ideal, há muito tempo eu aguardava um cara sério e comprometido. Já estou economizando dinheiro para fazer uma grande festa de casamento e toalhas com as iniciais de vocês."
Agora toda vez que eu visito o meu namorado, atendo ao telefonema da minha mãe ao viva-voz.