terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Eu nunca vou entender.



Todas as vezes que te vi, nesses últimos quatro ou cinco meses, eu sempre me apaixonei por você. Eu sempre estive pronta pra começar algo, pra ficar com você de verdade, pra passear de mãos dadas no claro, pra poder te apresentar ao sol sem receber mensagens de gente louca ou olhares curiosos, pra escutar uma piada nova. E você sempre ignorou esse fato, seguindo seu caminho que sempre é interrompido pelo vazio da sua camiseta suada do futebol. Eu nunca vou entender. Eu nunca vou saber porque a vida é assim. Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais. 
Eu só sei que agora eu vou tomar um banho, vou esfregar a bucha o mais forte possível na minha pele e vou me dizer pela milésima vez que essa foi a última vez que vou ficar sem entender nada. Mas aí, daqui uns dias, você vai me ligar. Querendo pegar aquele cineminha,  me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque eu seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida.  Porque eu quero ficar ao seu lado, seja como amiga, como parceira, como um rolo, ou como qualquer outra coisa. Eu quero sentir sua presença perto da minha, ouvir sua voz, sentir seu cheiro. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo.

"Quando um não quer, dois nunca formam um casal"   
Xande de Pilares

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Como tem que ser.


Quando nos apaixonamos acontece uma espécie de metamorfose com nós. Afinal todo ser humano que é dado como ser humano, sente falta de carinho, de amor e de atenção. Como andar de mãos dadas, assistir á um filme abraçadinhos. Você pode estar com a cabeça em outro lugar, mas suas mãos juntas fazem o seu coração enxergar a certeza que é ter um amor. Um amor pra poder ir ao shopping, falar de coisas bobas, compartilhar experiências e trocar carinho. Principalmente depois daquela decepção amorosa, que fez você desacreditar da vida e ser a menina mais rancorosa do mundo.
Sabe quando você zera o seu jogo, mas mesmo assim volta pra fase 3 porquê achou a tela mais legal?
É pra essa fase que eu quero voltar, pra fase onde eu ganho tudo mais fácil e cometo menos erros, sem precisar perder 3 vidas pra passar de tela. É claro que pra poder voltar pra essa fase a gente precisa vencer o chefão, porque nem tudo é como a gente quer e sim como tem que ser.

"Que bom olhar pro lado e enxergar você, depois de tantas chances perdidas"
Charlie Brown Jr.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Não sabemos namorar.


Namorar é confiar muito um no outro. É deixar o egoísmo e o orgulho de lado, e pensar no outro, com o outro e como o outro. Namorar pode ser pra vida toda, quando você entrega sua vida pelo seu amor. Quando existe de fato, essa declaração, todos os membros do seu corpo que fazem essa coisinha chamada amor funcionar, trabalham para que esse amor nunca mais seja esquecido. Assim como o seu corpo e mente tentam obedecer á essa frase, a pessoa que ouviu absorve essa informação, guarda seu cheiro, coleciona lembranças e cultiva coisas sobre você. Um exemplo disso é quando achamos que encontrar um brinco, ou um boné, até mesmo um chaveiro, que seu ex esqueceu na sua casa foi de propósito. Não é de propósito, suas mentes trabalharam pra isso, os seus corpos voluntariamente levaram vocês até esse ponto. Por isso é tão difícil esquecer. 
Namorar é mais do que ser amigos, dividir espaços e satisfações. Requer uma delicadeza insuportável, é tentar agradar ao outro quando menos se espera. Gentileza, em cima de gentileza. Um cuidado para não magoar com um aviso e pergunta, e com aquela mesma educação por idosos e gestantes. Tem que se preparar, ceder, abrir espaço, oferecer, renunciar. É um extremismo terrorista. Então porque você acha que quando terminamos uma relação nos sentimos no fim de uma guerra civil? Consigo me enxergar até de braço quebrado com um tiro no peito. 
É ter uma lista de supermercado na ponta da língua; a pasta de dente que ele usa, o sabonete, o xampu, o condicionador, o leite, o suco... Porque desconhecer a geladeira do namorado é pedir para ser esquecido. É entrar numa livraria e pensar em qual livro ele gostaria de ler, entrar numa loja e tentar imaginar o vaso que combinaria com sua sala, é entrar em um cemitério e sonhar com um mausoléu para a família, sim, pensar na morte juntos - nada mais romântico do que isso. É passar a mascar um chiclete de sabor melancia, pra lembrar o gosto do beijo que você tanto sente saudade, do qual você tanto chora. 
Namorar requer uma atenção absoluta. E não reclame: amar pode ser para toda a vida quando oferecemos toda a nossa vida.

"Precisamos namorar as palavras, cuidar bem delas para que possamos conviver bem com nós mesmos já que somos feitos a partir e por elas."
Karina Rego

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sempre.


Nada é para sempre não é mesmo. Mas foi você quem quis assim, e mais uma vez as coisas são sempre como você quer. Ruim é tentar esquecer seus sorrisos, com sua boca no meu rosto. Difícil é tentar esquecer seus olhares, se eu quero seus cílios nos meus olhos piscando pra mim. É triste ter que jogar fora aquilo que não é um lixo, principalmente quando você o deseja. Não sei porque estou tão assustada, eu já senti tudo isso antes, cada sentimento, cada palavra e cada emoção. Aquele mesmo sentimento de que você será sempre único ainda pulsa em mim. Fazer o que se você me roubou de mim, se eu não me reconheço mais, se é você quando eu olho no espelho.  
Espero que um dia eu aprenda a te odiar depois de tudo o que você fez. Eu tenho trauma, eu fui vítima de muitos falsos amores, recebi espinhos tendo dado flores, chorei em silêncio, sem pedir socorro, por que a pessoa que poderia me socorrer não estava aqui. 
Um dia essa dor se vai, e esse vazio também, mas as cicatrizes ficam e uma hora vou ter que acabar preenchendo isso logo. Foi você mesmo que disse que nada é para sempre.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

De outro planeta.


O amor não controla seu desequilíbrio ou a própria recessão. Eu tenho notado que no namoro, a mulher não economiza elogios sobre o namorado às amigas: "Nem acredito, ele é perfeito""Não sei como ele me escolheu""Estou vivendo um paraíso". Ele é de outro planeta ainda. Ela não desperdiça tempo: enfeita, superfatura cada frase. Provoca inveja sem querer. As colegas passam a se perguntar o que ele tem. Claro, ela desperta a concorrência. Confessa que ele é "incansável", "um atleta na cama", e nem entra detalhes porque tudo já é dito com o brilho dos olhos. Não é questão de falsa modéstia. Não há modéstia mesmo no início. Período de transe e encantamento repetitivo. As declarações são as mesmas e parecem novas.
Quando a relação se firma, a mulher descobre que ele não é de outro mundo tão distante assim. E troca de movimento: do impressionismo para o realismo. Os defeitos são identificados acima das qualidades. Com medo de fazer propaganda demais do namorado, investe em ataques sutis ao seu valor. Na mesa de um restaurante, dirá - sem contexto - que ele dorme depois da transa. Capota. O fundista sexual é rebaixado a dorminhoco. Comentará em seguida que não recebe flores há séculos (o mito do romântico foi ao ralo), e de sua inabilidade em escolher suas roupas, sempre em tamanho menor ou maior.
Não é questão de sinceridade, é exagero de crítica. Confunde a época de analisar a convivência com aspereza. O homem se percebe drasticamente diminuído - poucos sobrevivem, alguns preferem terminar. Transforma sua insatisfação, muitas vezes pequena, num debate público, tornando o problema bem maior do que é e esquecendo que seria possível resolvê-lo numa conversa a dois. Ao desvalorizar o passe de seu namorado, afasta com razão qualquer mulher de perto dele, isso ela consegue. Mas também se distancia dele. A ponto de se convencer - secretamente - que ele não mais serve. 

O amor é medida. Não mudar as palavras, controlar sua força. Ser natural, cuidando para não ultrapassar o respeito. Na linguagem, um toque pode virar tapa que pode virar soco.
Relação não é falar tudo, a franqueza ilude, é falar o que se precisa. E deixar que um pensamento se encontre com outro na telepatia.